No Man’s Sky

Olá, terráqueos!

Após uma longa jornada e seguindo a orientação do Atlas, venho pisar o solo desse planetinha azulado para compartilhar com vocês minha experiencia como explorador espacial.

Para quem não pegou a referência, me refiro aqui ao controverso projeto da Hello Games no ano de 2016: No Man’s Sky, um audacioso jogo de exploração espacial em primeira pessoa que tem como peculiaridade uma galáxia formada por incontáveis planetas gerados proceduralmente.

Para quem não conhece, parece incrível não é mesmo? Para quem já conhece, guardem as facas, eu sei, eu sei… Mas antes de falar sobre o drama existencial de No Man’s Sky, deixe-me primeiro explicar um pouco mais sobre ele.

Como tudo começa

A jornada inicia com o jogador acordando em um planeta desconhecido, em meio aos escombros de um acidente com uma nave espacial. Ao que tudo indica, o mesmo era o piloto da nave que por uma razão desconhecida acabou acidentado e preso, sem memória, no meio do nada.

Logo de cara, ao explorar os escombros nos deparamos com o Atlas, uma bola vermelha que parecer ser a representação tangível de uma super entidade alienígena. Ao fazer contato, o ser arredondado nos oferece a chance de tê-lo como guia em uma jornada rumo ao desconhecido. Caso desejado, podemos descartar tal possibilidade e apenas explorar livremente a galáxia.

Certo, de uma forma ou de outra somos convidados a mergulhar na vastidão do universo, só tem um probleminha ai… houve um acidente, lembra? A nave está quebrada e não temos como voar, então, o primeiro objetivo é explorar o planeta a procura de recursos para consertar a nave quebrada, que é a unica barreira entre o jogador e o espaço.

Aventura em terra firme

Durante a exploração terrestre o jogador é convidado a desempenhar diversas atividades, tais como:

Ver belas paisagens

A maioria dos planetas e luas iniciais são desolados, porém, é possível encontrar alguns com vistas surpreendentes.

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Um belo dia para caminhar

Obter recursos

É possível extrair componentes químicos da fauna, flora e de formações geológicas do planeta. Para isso usa-se a multiferramenta, que funciona tanto como objeto para extração de recursos quanto como arma, o que inclui disparos laser e lança granadas.

Uma das funções dos elementos encontrados é fornecer carga para o equipamento do jogador. Para utilizar a multiferramenta é necessário que ela esteja devidamente carregada com elementos do tipo isótopo, esse mesmo tipo de material também é usado para carregar o sistema de sobrevivência, que funciona como uma espécie de reator para manutenção do traje. Já a proteção antirrisco, que o protegerá das condições climáticas do planeta, deve ser carregado com elementos do tipo óxido.

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Nem todos os elementos são reais

Ao extrair recursos, existe a chance de o jogador chamar a atenção de sentinelas. Estes são robôs de guarda do planeta que visam manter o equilíbrio natural do mesmo e também zelar pelas instalações existentes nele.

Caso haja conflito, o jogador poderá usar das tecnologias de combate instaladas na multiferramenta para destruir os sentinelas. Ao serem subjugados, eles deixarão barris contendo recursos importantes para a criação de equipamentos, além disso, esses recursos podem ser vendidos por uma boa quantia de Unidades, que é a moeda do jogo.

Construir e melhorar equipamentos

Os componentes encontrados podem também ser usados para reparar ou melhorar os equipamentos que o jogador e a nave possuem. Há, também, a possibilidade de criar novos itens para sí, ou módulos para o veículo.

Realizar descobertas

O jogador inicia com um scanner danificado. Caso venha a repará-lo, é possível usar o dito equipamento para identificar as fontes de recursos existentes ao seu redor. Ao realizar tais descobertas, pode-se fazer o upload delas para receber Unidades.

É possível ainda, através do menu de upload,  renomear as descobertas feitas antes de enviá-las.

Encontrar novas tecnologias e equipamentos

Para construir e melhorar os equipamentos, é preciso encontrar tecnologias perdidas. Estas podem ser obtidas de diversas maneiras: escombros, caixas encontradas em estações que há pelo planeta, ou interagindo com alienígenas que normalmente habitam tais estações.

Em alguns casos podem ser encontradas versões de multiferramentas melhores que a atual, ai é possível troca-las e ficar com a melhor. Nesse caso é preciso avaliar a quantidade de espaços nos inventários das duas e as tecnologias que já estão instaladas nelas, nem sempre vale a pena trocar.

O mesmo serve para as naves. Ao usar um console em determinadas estações pode-se localizar escombros de naves caídas e, caso desejado, é possível repará-las e tomar posse delas. A “regra” de comparação é similar à das multiferramentas, porém os itens armazenados na nave antiga devem ser transportados para a nova e, caso não haja espaço suficiente, podem haver perdas.

Tanto as naves quanto as multiferramentas vão melhorando gradualmente à medida em que se encontram as novas, aumentando o espaço de armazenamento (slots) e, em alguns casos, as tecnologias já instaladas.

Existem ainda melhorias de traje espalhadas pelos planetas, entretanto, para obtê-las é preciso pagar. O preço delas aumenta a medida em que o traje melhora e, caso o jogador pague, o inventário dele será expandido. Diferente dos outros dois casos, as tecnologias e os itens do traje permanecem intactos ao melhorá-lo.

É importante ressaltar que a expansão dos inventários é fundamental, visto que cada tecnologia instalada ocupa um slot, seja na multiferramenta, na nave ou no traje.

Dica: Instale tecnologias similares ao lado umas das outras para ganhar um bônus.
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Note as cores dos itens alinhados

Comércio

Em algumas estações é possível interagir com uma espécie de computador que dá acesso à rede de comércio local. Ao acessá-lo, é possível comprar e vender itens. Os itens encontrados para compra variam de cada local, bem como seus preços. Isso possibilita lucrar com compra e venda de mercadorias.

Visitar estações

Note que diversas vezes disse que há estações nos planetas. Há vários tipos delas e em cada uma pode-se encontrar algo peculiar, porém, em todas elas o jogador estará a salvo das condições climáticas do planeta, e ainda, a proteção do traje será recuperada enquanto o jogador estiver la dentro.

Abrigo – Um par de cômodos. Alem de servir de proteção, em um deles sempre haverá uma tecnologia a ser obtida.

Silo – Como o nome sugere, é um local de armazenamento onde pode-se obter grande quantidade de um único componente químico. Mas para isso é preciso destruí-lo, o que atrairá os sentinelas.

Torre de transmissão – Alem de (sempre?) haver uma forma de vida para interagir, há um console com um simples quebra-cabeça numérico. Se o jogador for capaz de encontrar a resposta correta, ganhará a localização de uma nave caída.

Observatório – Estação similar à torre de transmissão, porém, indica a localização de ruínas. Nestas ruínas é possível aprender palavras do idioma local, e também interagir com monólitos. Nestes o jogador deverá fazer uma escolha, e dependendo da resposta poderá ganhar prêmios ou perjúrios.

Posto avançado – Esta é basicamente a estação citada quando falei em comércio, nela haverá um forma de vida e um terminal para acessar o mercado local.

Base – Com a nova atualização (Fundação), é possível que o jogador construa sua própria base. Ainda não pude jogar mas, segundo o site oficial, além de criar e customizar ela, pode-se contratar NPC’s alienígenas para pesquisar novas tecnologias, adicionar recipientes para armazenamento de itens, criar fazendas para produção de recursos, e ainda um portal de teleporte que permite voltar para a base sempre que desejar.

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Estação comercial em um dia chuvoso

Ao infinito e além

Bem, acho que depois disso tudo já deu tempo de coletar os recursos necessários para consertar a nave. Hora de voar.

A nave

Em No Man’s Sky, a nave é a maior (e única) companheira do jogador. Alem de ser usada para viajar ao redor do planeta  e pelo espaço, ela também pode ser útil de outras formas:

Abrigo – O jogador poderá sempre entrar na nave para se proteger das condições climáticas do planeta e também de inimigos, como animais carnívoros ou sentinelas. Enquanto esta lá dentro, o nível de proteção do traje será restaurado de maneira similar ao de quando entrar em estações.

Inventário – O inventário da nave possui capacidade de armazenamento muito superior ao do traje e pode ser acessado à distancia pelo jogador, desde que não exista algo entre os dois.

Para poder voar, tendo consertado os equipamentos básicos da nave, será necessário carregar o impulsionador de decolagem e o mecanismo de pulso com elementos do tipo isótopo.

Assim como o traje, a nave também possui um equipamento de proteção, que é o escudo defletor, este deverá ser carregado com elementos óxidos.

Com a atualização de fundação, nos foi dada a chance de possuir naves cargueiras que podem ser chamadas a qualquer momento e em qualquer local da galáxia. Estas naves gigantes funcionam de forma similar às bases pessoais, incluindo a possibilidade de ter uma tripulação e uma fazenda.

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Escombros de uma nave caída

O espaço

Ao contrário do que se pode imaginar, os sistemas solares são bem movimentados. Há diversas naves de mercadores e exploradores transitando, conjuntos de naves cargueiras e, é claro, piratas.

Em cada sistema há sempre uma estação espacial. Ao entrar em uma, o jogador estará em um enorme hangar com diversas plataformas de pouso para naves de outros exploradores (NPC’s), assim, é possível interagir com cada um deles para comprar e vender itens, ou até comprar a nave da entidade. Ao adquirir a nave de um alienígena será também possível transferir os itens do inventário, entretanto, o jogador perderá a nave antiga de forma similar a quando se encontra naves caídas nos planetas.

Além do hangar há um prédio a ser explorado. La dentro há (sempre?) uma forma de vida para interagir e um terminal de comércio. Existem também algumas portas lacradas que podem ser abertas caso o jogador possua um chip chamado Passe do Atlas. Este é obtido durante a jornada proposta pelo Atlas no começo do jogo.

A quantidade de planetas em cada sistema é variável e alem de planetas pode-se também explorar as luas, porém, a diferença em relação a elas é apenas o tamanho. Os biomas também variam, indo de planícies devastadas à paisagens belíssimas.

Próximo aos planetas existem conjuntos de asteroides que podem ser destruídos (minerados) para obter diversos recursos. A maioria deles são formados pelo elemento isótopo Tamio9, que serve principalmente para abastecer o mecanismo de pulso.

Para viajar de um sistema a outro é necessário possuir ao menos um hiperpropulsor instalado na nave, tal equipamento deve ser carregado com células de dobra, que podem ser adquiridas como recompensa ou construídas pelo próprio jogador. A distância máxima possível em cada viagem varia de acordo com o nível da tecnologia instalada.

Dica: Saia da atmosfera para chegar mais rápido aos pontos de referência.
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Protegendo um cargueiro contra piratas

O drama existencial

Após tanto texto, voltemos ao começo.

O drama sobre No Man’s Sky é que quando foi anunciado e durante sua campanha, nos foi apresentado um jogo ainda mais incrível do que é hoje. Muitas características demonstradas e citadas em vídeos, entrevistas, conferências e reportagens, acabaram não estando presentes no lançamento do jogo.

Isso gerou um desconforto e descontentamento muito grande na comunidade de jogadores que acompanharam o desenvolvimento do jogo. Muitas pessoas se sentiram lesadas por acabar adquirindo um produto diferente do que foi apresentado, além disso, o lançamento foi repleto de problemas técnicos que variavam de pequenas falhas a bugs que impediam os jogadores de desfrutar do jogo.

E ai quem pode culpá-los, não é mesmo? Apesar de os motivos da Hello Games em lançar seu produto dessa forma serem desconhecidos, a empresa falhou em anunciar muito conteúdo e entregar algo diferente (para pior) do que foi demonstrado.

Em contrapartida, tanto a Steam quanto a Sony aceitaram reembolsos por No Man’s Sky mesmo após 50 horas de jogo (fonte). Dito isso, não da para entender como alguém pode jogar por tanto tempo, receber o dinheiro de volta, e ainda sair por ai difamando o jogo. Difamar a empresa pode até ser justo (rs).

Explico…

Como é notável, achei melhor escrever sobre o jogo antes de comentar a respeito dos problemas de seu lançamento porque dessa forma podemos avaliar No Man’s Sky pelo que ele é e não pelo que foi anunciado.

Se você leu o que escrevi anteriormente, notará que o conteúdo oferecido no lançamento pode render dezenas de horas de diversão, com a atualização de fundação ainda mais.

O que quero dizer é que eu entendo, o produto vendido não é exatamente o que anunciaram, não é bem o que esperávamos, houveram problemas técnicos e tudo mais, mas os bugs foram corrigidos, melhorias vieram e os problemas do lançamento não fazem com que o jogo seja ruim. Não é justo criticar o que o jogo é em vista do que ele nunca foi. Ou seja, o problema não é o jogo,  é a empresa e seu marketing duvidável.

O fim da jornada

Aos heróis e heroínas que me acompanharam ao longo dessa jornada textual, prolongarei um pouco mais para deixar aqui a minha opinião sobre essa obra.

Como não viajei no trem da hype, fiz questão de me afastar de toda especulação e demonstração, pude aproveitar muito o produto que foi entregue no lançamento. Mesmo com um problema muito incomodo onde o aplicativo fechava sozinho após um tempo, consegui acumular 65 horas de jogo na semana inicial e não me arrependo nenhum pouco.

A meu ver, este não é um jogo para qualquer um. Embora seja em primeira pessoa, não é um FPS onde o jogador poderá entrar nos planetas e combater criaturas bizarras.

No Man’s Sky é um excelente jogo futurista com foco em exploração, sobrevivência e comércio, com uma atmosfera calma e acolhedora, uma trilha sonora de dar gosto e visual impressionante.

E por falar em trilha sonora, quase me esqueci… não comentei a respeito mas vou deixar que confiram por conta própria:

Até a próxima!